GANÂNCIA-A MAIS TRISTE DAS CRÔNICAS

Outubro 6, 2008 por ritavelosa

A CACHOEIRA QUE NÃO EXISTE MAIS

A CACHOEIRA QUE NÃO EXISTE MAIS

 

Eu não sou comunista.Eu não sou socialista.Eu não sou capitalistaEu sou contra a ganância, contra a falta de humanidade, contra os assassinos que pisam na cabeça de outrem para subir na vida.Eu sou contra hidrelétricas estourando em cima de população ribeirinha sem aviso prévio e sem prévia evacuação.

         Que termo usar para denominar quem provoca esse tipo de “imperícia”?

         Eu só conheço um: assassino! Maldito assassino! Porque mata inocentes, pessoas que estão em casa, vivendo suas humildes vidas sem nada querer a não ser paz e uma vida simples e digna, dedicada à natureza e ao amor.

         Que absurdo! Onde o homem chegou?

         E o homem chega a isso por ganância; por desejo de poder e de dinheiro.

Eu não tenho amigos na mídia. Eu não sou uma poderosa jornalista. Ainda bem! Porque senão faliria as empresas onde trabalhasse; diria a verdade sempre. Não pintaria a realidade de acordo com os interesses dos patrocinadores. Poria logo “fogo na fundanga”!

Por isso não exerço mais a profissão. Ela não existe mais ( salvo raras exceções). A ser cabo mandado, marionete, prefiro ser professora e formar novas cabeças em sala de aula: mais humanas, mais bondosas, menos consumistas e gananciosas.

Prefiro ensinar os limites; tentar mostrar até aonde podemos ir e aonde não devemos ir, em nome do “bem-estar”.

Tomara que eu tenha sucesso!Algumas das sementes que plantei germinarão, com certeza, porque  jamais fiz isso por dinheiro ou por poder.Fiz, porque sentia que era necessário; porque era a parte que me cabia fazer para tentar resgatar o ser humano decaído e expulso do paraíso.

         Prefiro ajudar a salvar esse paraíso que nos foi dado em substituição e que também é tão perfeito a nossos olhos, que nos parece o verdadeiro paraíso.

         Quando olhamos para um rio como o Corrente, no planalto Central Brasileiro, para sua mata ciliar, para suas cachoeiras, quando convivemos com toda essa realidade indescritível, sentimos Deus e nos apaixonamos para sempre, irremediavelmente! Somos parte de Deus! Somos quase que perfeitos se conseguimos sentir aquela beleza em nossas entranhas. Foi o que aconteceu com nossa família, por três gerações.

         Até 30 de Janeiro de 2008 quando destruíram a Cachoeira das Andorinhas.

         Essa cachoeira, no Rio Corrente, em Goiás, tinha mais de 100 metros de largura por 12 de altura: um espetáculo paradisíaco!

Lá, aos seus pés, ficava a sede da fazenda Curral de Pedras.

Dia 30 de Janeiro o homem fez papel de Deus usando seu livre arbítrio e destruiu tudo: quebrou toda a cachoeira, soterrou-a com pedras imensas, varreu do mapa a sede da fazenda e destruiu duas RPPNs existentes no local. Acabou com a mata ciliar do Rio Corrente por quilômetros e assoreou o rio todo. Matou fauna e flora sem piedade. Pôs em risco centenas de vidas humanas. Desabrigou famílias que não tem agora para onde ir.

E essa, é só mais uma história comum.

Todos os dias estamos vendo histórias parecidas nos jornais e nas TVs.

É a banalização do genocídio, da tragédia, da destruição da natureza.

Tudo em nome da ganância! Mas quem liga?

Gaia liga!

E fará justiça cedo ou tarde; podem crer!

 

 

 

 

Texto de Rita Velosa

 

 

Protegido por Direitos Autorais

Favor citar sempre a fonte

 

 

BONDE DE BURROS

Agosto 27, 2009 por ritavelosa

E lá vêm todos, nos bondes puxados a burros.
        Burros nos bondes, à frente e por dentro, todos sorridentes.
        Os da frente babando e os de dentro aplaudindo sadicamente…
        Burros, burros, burros e bondes!
        E como dá bonde neste lugar!
        Em se plantando, dá!
        Bom, muito bom para os burros de dentro.
        Não tem desemprego nem crise!
        Temos os bondes do desejo, da inveja, da ganância, do escárnio, da mediocridade, da hipocrisia, da mesquinharia, da roubalheira, da jogatina, da corrupção, das “caras de paisagem”, dos desmemoriados, dos barbas-de-bode, dos capim-tiririca, dos emergentes, dos ressurgentes, do consumismo, da loucura ( este, um dos mais divertidos, por sinal!), e muitos outros.
        Bondes, bondes, bondes: lotados, alegres, animados; com os burros babantes a puxá-los morros acima e morros abaixo.Lembram-me antigos corsos de carnaval. Burros travestidos de palhaços e palhaços travestidos de burros.
       Quando vêem uma câmera ou um microfone, pedem aos cocheiros para que parem para dar água e comida aos burros. E sorriem, sorriem muito, com seus dentes perfeitos, qual colares de pérolas, enquanto pensam:
      __ Seus burros!

 TEXTO DE RITA VELOSA

PROTEGIDO POR DIREITOS AUTORAIS

FAVOR CITAR SEMPRE A AUTORIA

MADRASTA VIL

Janeiro 29, 2009 por ritavelosa

           MADRASTA VIL

                         E  

PADRASTO  PIOR AINDA                 

 

         A Madrasta Vil se casou. E arranjou para nós um padrasto bem pior: o tráfico internacional de drogas. Para arrematar, arranjou um amante: o crime organizado. E assim se formou esse triângulo odioso extremamente explosivo, muito mais que qualquer triângulo amoroso!

         E esse tripé de descaso e violência contra nós, os cidadãos brasileiros, vem se sustentando faz décadas. O equilíbrio é dado pelo descaso, representado pelo Estado que nunca se faz presente nas favelas e periferias. Assim, deixa o padrasto e o amante estuprando , torturando e matando de morte morrida e de morte matada, à vontade, a nós, os filhos da Madrasta Vil.

         E os vizinhos dignos não querem se misturar, não querem se contaminar com essa promiscuidade desse trio escroto.Preferem nem comentar.Preferem fingir que não estão sabendo de nada.

     __Não ouço nada, não vejo nada, não falo nada!Resumindo: não sei nada sobre isso!Sou prudente!Sou politicamente correto!Sei ser discreto e não gosto de confusão!

        Enquanto isso, “tudo fica como dantes no quartel de Abrantes”: alguns deitados em berço esplêndido enquanto outros são amontoados embaixo dos viadutos e vão engrossar as fileiras dos adotados pelo amante da Madrasta Vil.

       Nas mãos desses cidadãos de segunda, dos enteados  da Madrasta Vil, está o destino da “cantada” mãe gentil: o Brasil. Deles é o brado retumbante que não mais nos deixa dormir em paz; eles são  quem empunha a clava forte,quem desafia a própria morte,por uma migalha de atenção da Pátria Mãe amada, que eles ainda não encontraram, por um carinho, um afago da mãe gentil, que os abandonou nas mãos da Madrasta Vil!

       Que tal vestir sua roupa de marca, pegar sua bolsa e sapato de couro legítimo, colocar suas jóias de grife – tudo conquistado com muito esforço  e trabalho honesto – e ir dar uma volta a pé numa praça qualquer de uma cidade qualquer para ver o luar e apreciar a brisa gostosa que se espalha por entre as árvores?Talvez até, escutar o pio de uma coruja ou admirar um curiango que vaga?

       Dos filhos desta terra, és mãe gentil, Pátria Amada Brasil?

Texto de Rita Velosa

Protegido por direitos autorais

Favor citar sempre a autoria